Publicado por: Marcelo Loureiro | domingo, 17 janeiro 2010

Custo de vida no Brasil assusta estrangeiros

Preços de mercadorias chegam a ser mais caros que os importados.

Preços de mercadorias chegam a ser mais caros que os importados.

Vânia Serafin, 28 anos, chegou no início de janeiro ao Brasil para um estágio de oito meses e procura um lugar para viver na região da Avenida Paulista, em São Paulo. Ela reclama que há poucas opções e está assustada com os preços. Só conseguiu flats por cerca de R$ 1,7 mil. Vânia conta que em Lisboa é possível dividir um apartamento com um amigo – numa boa região, com quarto separado e contas incluídas – por 200 euros, cerca de R$ 500.

A experiência da publicitária portuguesa está longe de ser exceção. Estrangeiros que chegam ao País e brasileiros que vivem no exterior sentem no bolso o “preço do sucesso” brasileiro. Queridinho da vez dos mercados internacionais e uma das primeiras economias a sair da crise, o Brasil está na moda e cada vez mais caro.

O índice Big Mac, criado pela revista The Economist e uma das medidas mais conhecidas de comparação de preços entre países, demonstra isso. O sanduíche do McDonald’s está custando US$ 4,02 no Brasil, mais caro que nos Estados Unidos (US$ 3,57), no México (US$ 2,39) e na Argentina (US$ 3,0). Só perde para os US$ 4,62 cobrados na Europa.

Um levantamento da consultoria Euromonitor, feita a pedido do jornal O Estado de S.Paulo, detectou que os preços de vários produtos no País estão entre os mais altos. O quilo de iogurte custa US$ 2,9 no Brasil, o mesmo que na França. O quilo de comida de bebê fica em US$ 12,3, comparado com US$ 8,1 no Reino Unido. E o papel higiênico brasileiro está entre os mais caros do mundo: US$ 4,4 o quilo, ante US$ 3,3 nos EUA e US$ 3,8 na França.

A consultoria cruzou os dados de tamanho do mercado pelo volume vendido e encontrou um custo médio. No Brasil, a classe C cresceu e ganhou das empresas lançamentos específicos, mais baratos, o que reduz o preço médio. Ainda assim, a comparação com os valores praticados nos países da Europa e nos EUA não favorece o País.

A diferença de custo de vida chama mais a atenção da parcela da população brasileira que viaja ou até vive no exterior. Priscilla Raunaimer Carneiro, 32 anos, mora no sul da Itália com o marido, Fillipo. O casal tem uma loja de produtos brasileiros. Compraram recentemente um sofá-cama por 200 euros (R$ 500). No site de uma da grande varejistas de móveis de São Paulo, um sofá-cama custava R$ 1,6 mil na sexta-feira. “No Brasil, não tem a opção de comprar móveis de boa qualidade e gastar pouco”, disse Priscilla.

Segundo o economista do JP Morgan Júlio Callegari, as pessoas estão percebendo intuitivamente os efeitos da valorização da moeda brasileira. Uma série do Banco Central (BC) – que compara o real com as moedas dos parceiros comerciais – aponta que o câmbio, descontada a inflação, está 1,7% acima do que valia em novembro de 2008, antes da crise. Por esse critério, o real está 20% acima da média histórica (desde 1988) e apenas 4,4% abaixo de dezembro de 1998 – último mês de câmbio fixo do Plano Real.

Mas não é apenas o fator cambial que explica as diferenças de preço. No Brasil, os consumidores estão confiantes e a demanda segue forte, enquanto outros países enfrentam recessão. O mercado imobiliário é um caso exemplar. Foi nesse setor que começou a bolha nos EUA, mas o Brasil, particularmente São Paulo, ainda experimenta um “boom”.

Quem vive fora do País também reclama das despesas do dia a dia por aqui. Dizem que não existem “lojas de desconto”, que são comuns no exterior, e que os produtos importados e de marca custam “caríssimo”. Vânia comprou em Portugal um relógio Swatch por 80 euros (cerca de R$ 200) e viu o mesmo produto aqui por R$ 480. “Só tenho roupas da Zara e me disseram que é quase uma loja de luxo no Brasil”, disse.

Alguns serviços também podem ser um problema – embora ainda seja muito mais barato contratar uma babá, uma faxineira ou ir à manicure no Brasil. Alexandre Castello Branco, 34 anos, é supervisor de auditoria da PriceWaterHouse&Coopers, em São Francisco, nos EUA, e esteve no Brasil em agosto de 2009. Ele reclama que gastava mais de R$ 70 para sair para jantar em São Paulo. “Não custa mais que R$ 35 em lugares do mesmo padrão em São Francisco”, disse. A alimentação fora de casa foi um dos itens que mais subiu no Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) no ano passado. A jornalista Rachel Verano trabalha como freelancer, viveu na Europa e passou o último ano viajando com o marido pela Ásia. Apaixonada por mergulho, ela conta que visitou os melhores lugares do continente e garante que não gastou mais de 70 euros em cada passeio, cerca de R$ 180.

De férias no Brasil, foi mergulhar em Fernando de Noronha e pagou R$ 300. “Fiquei chocada. O custo de vida no Brasil está igual ou mais caro que na Europa.” Pelo menos pelas sandálias Havaianas os brasileiros continuam pagando menos que os gringos. Priscilla compra por R$ 10 o par no centro de São Paulo e vende na sua loja na Itália pelo equivalente a R$ 50.

Fonte: Agência Estado

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Responses

  1. […] Fonte: Blog do Marcelo Jorge […]

  2. Concordo com tudo e mais um pouco! A tempos venho dizendo isto, Sao Paulo nao perde em nada pra Europa em termos de custo de vida. Como diz o artigo, na Europa assim como em outros lugares ha opcoes baratas para se comprar mta coisas, lojas como IKEA (que vende moveis em que o proprio cliente monta) nao existem por aqui. E o preco dos voos domestico?? Enquanto la se voa da Suica para a Franca por precos apartir de 40 reais aqui ja paguei ate R$ 600 por um voo de SP para Belo Horizonte. O aluguel em SP em uma area nobre custa o mesmo tanto que em uma area nobre na Suica, cerca de R$3000 por um apartamento pequenininho estilo flat. Nao se come em um restaurante com um padrao minimo em SP por menos de 50 reais. Os mesmos veiculos em SP custao ate 50% a mais para os novos enquanto que no mercado de usados chega a 400% a diferenca. O seguro de um veiculo custa o dobro no Brasil do que na Suica, um dos lugares mais caros do mundo. Ate onde vai esta loucura?


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