Meses de preparação financeira, malas prontas, roupa de banho na bagagem e máquina fotográfica na mão para realizar o sonho de conhecer a costa nordestina e o arquipélago de Fernando de Noronha a bordo de um cruzeiro. O roteiro paradisíaco foi por água abaixo para boa parte dos passageiros que embarcaram no último dia 15 no Orient Queen, navio fretado pela CVC. Por conta do mau tempo, os seiscentos turistas tiveram como cereja do bolo em vez de Fernando de Noronha a cidade de Cabedelo, na Paraíba. O suficiente para deixar muita gente revoltada com a empresa. Tanto que alguns ficaram no Porto do Recife para alertar aos próximos a embarcar no cruzeiro para a possibilidade de entrarem numa “barca furada”.
Furiosos, os passageiros diziam que a CVC já sabia da impossibilidade de parar em Noronha antes e tentou ludibriá-los para não romper o contrato e ter que arcar com despesas extras. “A onda que danificou o píer de Fernando de Noronha aconteceu no dia 17. A gente ainda estava em Fortaleza e poderíamos ter desistido nesse momento. A imprensa divulgou no dia 18. Mas a CVC só nos informou que não era possível visitar a ilha na tarde do sábado”, disse o engenheiro Marcos Barros. Ele contou que ver o arquipélago de longe foi frustrante para toda a família. Quando desembarcou no Recife, por volta das 9h, decidiu, junto com outros passageiros, fazer um alerta aos próximos a embarcarem no navio.
As primas Cláudia Stegelitz e Fernanda Caiafa estavam embarcando no Orient Queen e ficaram apreensivas com a notícia. Elas, que moram em Ssão Paulo, tinham planejado a viagem há muito tempo. “Nós íamos para outro local, mas aí soubemos que esse navio ia para Fernando de Noronha. A nossa intenção é descer lá, do contrário não viríamos”, contou Cláudia. Fernanda acrescentou: “Gastamos R$ 8 mil as duas, incluindo passagens aéreas. Vamos embarcar, mas não aceitaremos desculpa”, disse.
De acordo com a assessoria de imprensa da CVC, as acusações dos passageiros não procedem. “Tão logo soube da impossibilidade de atracar em Fernando deNoronha, por conta do fenômeno swell que atingira a ilha, o comandante do navio informou prontamente os passageiros e acionou a equipe de turismo receptivo da CVC em João Pessoa para que organizasse a operação de atendimento aos passageiros nessa localidade”, informou. A empresa esclareceu ainda que nos locais onde não existe porto para atracar, como em Fernando de Noronha, os desembarques ficam sujeitos às condições marítimas e climáticas e podem ser suspensos caso representem risco à integridade física dos passageiros, conforme diz no contrato de prestação de serviços, o qual o passageiro deve ler e assinar no ato da compra do cruzeiro.
Fonte: Diário de Pernambuco











